
20 de abril de 2026 · 3 min de leitura
Setup simples para autorretrato
Motivação
No último fim de semana decidi aproveitar o raro pico de alta autoestima para renovar minhas próprias fotos. Normalmente faço isso uma vez por ano, pelo menos, mas em 2024 e 2025 essa prática ficou pendente. Um dos motivos que me levou a querer renovar as fotos foi a recente aquisição da muito cobiçada objetiva Canon 70-200mm f/2.8, que já estava na minha lista de desejo há alguns anos.
O Ambiente e a Iluminação
Decidi fazer essas fotos no meu escritório, aproveitando uma cortina blackout preta e a iluminação do próprio ambiente como base. Mas, sabemos que a iluminação padrão da maioria dos ambientes, principalmente escritórios de trabalho ou quartos residenciais, não é adequada para gerar profundidade na foto final. Normalmente, nesses ambientes faltam elementos básicos para trazer a noção de tridimensionalidade para a imagem.
Um dos recursos que utilizo atualmente é um softbox para complementar a luz do ambiente em que eu esteja fotografando ou filmando alguma cena estática, entrevistas, etc. O flash da câmera também entrou no setup, mas como eu não tenho um disparador remoto para esse flash, ele teve que continuar acoplado à câmera no momento do ensaio. Para compensar a falta de mobilidade do flash, utilizei um gel azul para fugir da luz branca.

Fiz algumas fotos de teste e notei que uma sombra ainda estava sendo projetada no meu backdrop (a cortina preta), mas eu já havia esgotado os recursos luminosos disponíveis naquele momento, ou pelo menos foi o que eu pensei, até lembrar de um ring light que utilizo para reuniões online. O ring light possui um ajuste de 3 cores, e isso foi excelente para jogar uma luz amarelada no fundo vinda de baixo.

O Setup Final
No final, o meu setup consistiu em:
- 2 spotlights do teto + fita de led, todos com luz amarela;
- 1 softbox com luz branca;
- 1 flash com gel azul;
- 1 ring light com luz amarela;
O Resultado
Dessa forma, eu consegui atingir um efeito de tridimensionalidade que eu desejava, com o ring light gerando esse efeito de profundidade no meu braço esquerdo (destacado na imagem abaixo).
A luz azul do flash conseguiu achar seu caminho para dentro do parasol da 70-200 e refletiu no vidro da lente. A parcela de luz azul que preencheu o lado esquerdo da imagem se misturou com a luz amarela vinda dos spotlights do teto e criou uma tonalidade rosa (visível na palma da minha mão).


O Desafio do Foco
Para mim, um dos maiores desafios no autorretrato é o ajuste de foco. Sem um modelo da minha altura para ocupar o ponto exato onde eu estarei posicionado, fica difícil garantir que o plano focal esteja onde precisa estar. A solução que encontrei foi trabalhar com uma profundidade de campo mais generosa: fechei a abertura da lente para f/8.0, o que me deu margem suficiente para absorver pequenas variações de posição sem perder a nitidez.
Mesmo assim, a dinâmica do autorretrato exige um vai e vem constante entre o ponto de pose e a câmera. A cada clique, eu pausava, caminhava até ela para conferir o preview, ajustava algum detalhe e voltava.