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Da Astrofotografia à fotografia de Música

15 de abril de 2026 · 4 min de leitura

Da Astrofotografia à fotografia de Música

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É papel do fotógrafo escolher o que será mostrado e o que será deixado de fora, quais emoções serão despertadas no espectador.

Astronomia & Fotografia

Na mesma época em que iniciei na prática da fotografia, eu também estava cultivando um interesse (na verdade um hiperfoco) em Astronomia. Quando entendi que era possível registrar as maravilhas do céu noturno e do universo pela minha câmera, eu fiquei extasiado. Nada me parecia melhor do que juntar os dois assuntos que mais me fascinavam: Astronomia e Fotografia - resultando na prática da Astrofotografia.

Nebulosa de Orion - M42

Os Desafios Técnicos

É engraçado olhar para o céu à noite, ver a Lua e tentar fazer uma foto - ainda que seja com o celular - e perceber a dificuldade que é fazer uma exposição correta da foto para capturar a mesma paisagem que vemos com nossos olhos. Simplesmente não é possível reproduzir o mesmo cenário fazendo apenas 1 foto. Isso ocorre porque as câmeras não possuem a mesma capacidade de resolução e do alto alcance dinâmico (high dynamic range) dos nossos olhos. Mas isso é assunto para outro momento.

Via Láctea

Comecei a entender os desafios da fotografia noturna, alto tempo de exposição, alto ISO, grande abertura. A estabilidade é primordial com o uso de tripés pesados e, às vezes, guiagens motorizadas para compensar a rotação da Terra. E também comecei a trilhar o caminho do meu lado artístico, ponderando entre a retratação fiel à realidade e à representação romântica do que o universo poderia ser. Existem muitas fotos na internet que mostram a Via Láctea com cores irreais (roxa, vermelha, azul, etc), enquanto seu tom real é um âmbar mais suave, mais amarelado e não tão intenso.

Em algum lugar eu li que é papel do fotógrafo escolher o que será mostrado e o que será deixado de fora, quais emoções serão despertadas no espectador. E isso é um papel muito importante, principalmente hoje em dia em que a Inteligência Artificial também disputa nossa atenção e cria narrativas.

O Que a Astrofotografia Me Deu

A Astrofotografia me deu a base para me sentir bem fotografando em condições adversas de luminosidade; me deu a paciência para aguentar timelapses que duravam mais de 4 horas de captura; me treinou para editar centenas de imagens em processos complexos para chegar em um resultado que me agradava visualmente e que eu sentia que havia retratado a realidade como eu a via.

Startrail na Chapada dos Veadeiros

Quando iniciei na fotografia de música, apesar de me sentir super confortável fotografando em alto ISO, me deparei com outros desafios. Antes eu tinha tempo para fazer um ajuste de foco utilizando um laser, minhas modelos (as estrelas no firmamento) praticamente não se moviam, e minha composição era cuidadosamente ajustada com o auxílio de um tripé. Agora, era necessário ajustar o foco rapidamente em baixa luminosidade, criar diferentes composições para não ficarem repetitivas, me movimentar constantemente, modificar a tríade ISO-exposição-abertura para aproveitar um novo ângulo.

Embora sejam novos desafios, eu já tinha a base muito consolidada. O que me faltava e que comecei a desenvolver quando tive contato com a música, foi a visão artística. A visão que muitas vezes preza pela alta qualidade técnica e que deixava de lado a emoção. Descobri que em algumas situações, uma foto desfocada propositalmente cumpre o papel de transmitir a emoção sentida naquele momento.

Banda The VooDooS no Sarau da Versa em Araraquara

E é com essa conclusão que sigo no caminho: O Universo por si só já é tão fascinante que exige técnica perfeita para transmitir a sensação de grandiosidade. A performance artística exige emoção, e não há técnica perfeita para registrar uma emoção. A técnica, muitas vezes, é se mover conforme a música.

Giu Bonavina no Sarau da Versa em Araraquara