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Meu Olhar na Fotografia de Shows

27 de agosto de 2026 · 6 min de leitura

Meu Olhar na Fotografia de Shows

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Há pouco mais de um ano, comecei a fazer fotos de shows e, ultimamente, tenho pensado sobre qual é o meu diferencial e se minhas fotos realmente entregam aquilo que eu gostaria que entregassem: o sentimento, o impacto, a memória.

Comecei a analisar as fotos que tenho feito e o feedback das pessoas. O entusiasmo que leio nas mensagens de agradecimento, o que me falam quando me encontram pessoalmente. E, até agora, têm sido ótimos feedbacks, com pessoas dizendo que se emocionaram com o resultado do meu trabalho.

Me sinto muito grato por conseguir entregar um trabalho consistente, que emociona as pessoas.

Fotografar é mais do que registrar

Na cobertura mais recente, fotografei uma artista que admiro, tanto por suas músicas quanto por sua trajetória profissional. O simples ato de fazer essas fotos já foi uma realização para mim.

Porém, o que superou minhas expectativas foi perceber que consegui produzir um trabalho que emocionou e apaixonou não só a artista, mas também as outras pessoas retratadas e até muitas outras que sequer estavam no local do show naquele dia.

Ouvir alguém que admiro dizer que o meu trabalho é fantástico não inflou meu ego e nem me fez achar que sei tudo. Na verdade, me fez chorar e entender que aquilo só foi possível por causa do meu foco e do meu estudo, na busca constante de ser melhor hoje do que fui ontem e de ser melhor amanhã do que sou hoje. O agradecimento dela pelas fotos representou, para mim, uma validação de que estou no caminho certo.

E o que é o caminho certo?

Para mim, é ir em busca de fazer o que eu amo.

Mesmo que eu fracasse, eu tentei. E poderia me orgulhar da tentativa, até viver com o conhecimento de que tentei e falhei.

O que eu não posso fazer é viver com medo da tentativa, sem nunca dar o primeiro passo em busca do meu sonho ou da minha felicidade.

É com essa mesma paixão que encaro meus trabalhos de fotografia. A próxima cobertura fotográfica não é “só mais um trabalho”.

Todas as fotos que faço são tratadas com carinho, desde a captação até a entrega. Eu me envolvo emocionalmente com o trabalho para que o resultado seja impactante e contribua para a construção de uma memória coletiva que enalteça o artista, o show, o evento e as pessoas retratadas.

NUNCA É “SÓ MAIS UM TRABALHO”.

O trabalho mais importante da minha carreira é o que eu estiver fazendo no momento.

O fotógrafo também faz parte do show

Há um ano estou nos bastidores de eventos, subindo e descendo de palcos, estando na presença de grandes artistas e entendendo os perrengues que ninguém vê quando está na plateia.

E é justamente por estar junto nos bastidores que entendo um pouco melhor como funciona a produção de um evento. Existem dezenas de pessoas trabalhando para que algumas horas de show aconteçam. Cada uma delas tem uma função, um espaço e uma responsabilidade.

Por isso, criei algumas regras de conduta para os meus trabalhos. Não são regras impostas por ninguém. São princípios que escolhi seguir porque também faço parte do contexto que faz o show acontecer.

Vale listar algumas dessas regras:

  1. Pontualidade é respeito — muitas vezes, ser pontual significa chegar ao local do show horas antes. É o tempo necessário para me apresentar à produção, me familiarizar com o ambiente, entender os acessos, montar o equipamento e garantir que estou pronto quando o trabalho começar.

  2. Nunca parar no meio do caminho — existem dezenas de pessoas tentando fazer o próprio trabalho para que um show aconteça. Parar no meio de uma passagem, em uma escada ou em um corredor pode obstruir o caminho de alguém e causar um problema sério para o artista, para os técnicos ou para a produção do evento.

  3. Vestir preto e ser discreto — preto é uma das cores que menos se destaca no meio de uma multidão e, principalmente, quando estamos em um palco escuro. Meu objetivo é estar presente sem chamar atenção do público para mim. Tenho orgulho quando faço meu trabalho e não apareço em nenhum dos vídeos gravados pelas pessoas na plateia. Quando vejo os stories do show e percebo que não apareci em nenhum deles, sei que cumpri uma parte importante do meu trabalho com sucesso: estar presente sem interferir na experiência de quem está assistindo.

  4. Estar no pit não significa abrir mão da educação — o pit também pode ser utilizado por pessoas que têm alguma condição preferencial, como pessoas cadeirantes, e elas merecem assistir ao show como qualquer outra pessoa. Por isso, sempre olho para trás, fico agachado sempre que possível e procuro me movimentar de forma a não obstruir a visão de quem pagou pelo ingresso e está ali por direito. Ter acesso a um espaço privilegiado não me dá o direito de ignorar quem está ao meu redor.

  5. Tietar nunca. Cumprimentar educadamente, sim — como fotógrafo de um evento ou de uma banda, posso ter acesso aos bastidores e aos artistas de uma maneira que o público não tem. Isso torna ainda mais importante manter o profissionalismo. Com a câmera na mão, estou trabalhando e cumprindo meu papel como qualquer outra pessoa ali. Depois do show, caso exista uma oportunidade natural, posso cumprimentar o artista e dizer que admiro seu trabalho. Se um dia surgir uma oportunidade para uma conversa menos formal, aí é outra história. O acesso não deve ser confundido com intimidade.

  6. Todo trabalho é único — posso fotografar novamente a mesma banda ou uma banda diferente no mesmo local, mas nunca será exatamente o mesmo trabalho. Os ângulos mudam, as roupas mudam, as expressões mudam, o público muda e a energia daquele momento nunca se repete. É meu trabalho como fotógrafo perceber essas diferenças e encontrar imagens que demonstrem a importância daquele show específico.

  7. Captar a essência e produzir memórias — meu trabalho é captar a essência do show, independentemente do tamanho do público, do local ou da banda. Também não importa se os artistas “sabem posar”. Sempre haverá um momento em que o guitarrista entra no solo e embarca em uma viagem emocional, o baterista está completamente concentrado ou o vocalista troca olhares com alguém da plateia. Meu trabalho é estar atento para perceber esses momentos e estar preparado para capturá-los quando acontecerem.

Você não precisa se preocupar em “forçar” poses.

Eu não quero apenas fotografar alguém em cima de um palco. Quero fotografar aquilo que acontece quando a música realmente começa.

No fim, talvez seja esse o meu diferencial.

Não quero apenas entregar fotografias bonitas. Quero entregar imagens que façam alguém sentir novamente aquilo que sentiu quando aquela música começou a tocar.

Para mim, fotografar é isso: transformar um instante que nunca mais vai acontecer novamente, em uma memória que pode durar para sempre.